Fogo amigo.

Certa hora da manhã, encontro em minha caixa de mensagens:

“Não acredito em gente que se diz ‘heterossexual’ e depois chama o outro de ‘gostoso’ como você me chamou. Se é mesmo heterossexual, fará bem em deixar LGBT’s em paz, para sempre! Obrigado!”

Desculpe, mas aí é da minha criação. Graças a ela eu aprendi a ter carinho pelas pessoas pelo que elas são. O meu padrinho, uma das pessoas mais importantes da minha vida é homossexual. Fui criado em um terreiro de Candomblé que era da minha avó e hoje é da minha tia onde a sexualidade é absolutamente irrelevante. Sempre amei os meus amigos homossexuais da mesma forma que os que heterossexuais. Desde a minha adolescencia tenho procurado me policiar pra não me tornar uma pessoa que se pareça em alguma coisa com as mesmas que agrediram verbalmente ou fisacamente as pessoas que amo (e sempre carregar a culpa quando me pego falhando nessa minha diretriz). Agora, será que a minha forma de amar, o fato de que eu não sentir atração sexual por um outro homem é tão agressivo à você assim? E vai saber se isso não vai acontecer algum dia? Mas é algo tão inexplicável quanto mesmos motivos pelos quais existem pessoas que não sentem atração sexual pelo sexo oposto. Simplente não aconteceu. Ponto.) Isso é tão periclitante para que eu ame, respeite e admire alguém que ama de uma forma diferente da minha? Não seria incorrer no mesmo pecado daqueles que o querem à margem? Quanto a chamar de “gostoso” ou dizer “você está podendo”, “você está bonito”…, me desculpe, mas de onde eu venho isso não é preponderante para assinalar a sua verdade sexual. Demagogia? Ingenuidade? Vai saber… Se isso tudo ainda não fosse o bastante, as mesmas pessoas que perseguem os homossexuais como meu padrinho são as que perseguem os nordestinos como eu, os negros como minha avó paterna. Minha discreta militância pela PLC 122 é simplesmente para fazer justiça e garantir na esfera legal a mesma proteção (ainda que efêmera e raramente aplicada) que existe para a discriminação de cor ou procedência. Procedência essa que já fez o baiano aqui por pouco não levar surra de skins em 2008 aqui na Alameda Campinas (Fui salvo por graçons e seguranças de um Pub), o baiano aqui faz o que pode pra se segurar toda vez que ouve uma piadinha escrota com baianos vinda de pessoas relativamente próximas. Mas eu não tenho a menor pretensão de moldar o mundo, apenas desejo que o mundo não me molde. Realmente sinto muito que pense dessa forma, mas é só o que se pode fazer, sentir muito.

Fique bem, abraços.

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