Qual o melhor jornalista: o engessado ou o robô?

Engessado, ele sabe como esticar o braço, mas não pode fazê-lo algo o impede. Robô, doutrinado a partir de regras básicas intransponíveis. Inquebráveis?!

Dia desses tive uma rara resposta a um e-mail no qual eu me candidatava a uma vaga em uma famosa redação. Possuo boas empresas em meu passado profissional, uma formação bacana e algumas realizações interessantes, mais do que o necessário para ocupar a vaga, que nem paga tão bem assim. Como portifólio enviei alguns textos bem bacanas, criativos e que rimavam muito com a temática pedida na descrição publicada pelo reduntante selecionador que usava a palavra “criatividade” três vezes em um texto de duas linhas.

O básico, o correto de todo RH é não haver resposta alguma. Ignorar o cidadão que se interessou pela vada, mas essa empresa fez pior. Eles me disseram que a criatividade é errada. Meu caro colega de formação disse que meu texto tinha uma estrutura caótica, que o lead clássico não era respeitado e que eu utilizada alguns termos de baixa compreensão popular.

O preocupado colega disse que o texto tinha informações demais.

É lógico que havia informações demais, era um tutorial. A vaga pedia isso: jornalista que faça tutoriais. Não dá pra ensinar alguém a vender produtos na web em três passos. No mínimo o cidadão gostaria que eu mandasse um texto básico.

Tim Peters

Sugiro que se você pense como ele e for selecionar algum jornalista para uma vaga dita criativa, mas na prática bastante engessada. Aproveita e publica também o Zen do Python junto com a descrição curricular. Você precisa mesmo é de um seguidor estrito de regras. Afinal: assim que o jornalista sentar em sua baia receberá um documento em chinês com a cota mínima de textos a serem produzidos diariamente.

Regras para domesticar o seu jornalista:

(Reza comigo!)

O Zen do Python, por Tim Peters

Bonito é melhor que feio.
Explícito é melhor que implícito.
Simples é melhor que complexo.
Complexo é melhor que complicado.
Linear é melhor do que aninhado.
Esparso é melhor que denso.
Legibilidade conta.
Casos especiais não são especiais o bastante para quebrar as regras.
Ainda que praticidade vença a pureza.
Erros nunca devem passar silenciosamente.
A menos que sejam explicitamente silenciados.
Diante da ambigüidade, recuse a tentação de adivinhar.
Deveria haver um — e preferencialmente só um — modo óbvio para fazer algo.
Embora esse modo possa não ser óbvio a princípio a menos que você seja holandês.
Agora é melhor que nunca.
Embora nunca freqüentemente seja melhor que *já*.
Se a implementação é difícil de explicar, é uma má idéia.
Se a implementação é fácil de explicar, pode ser uma boa idéia.
Namespaces são uma grande idéia — vamos ter mais dessas!

Isaac Asimov pagando de Hari Seldon. Se não sabe quem é Seldon, clique na foto e compre a maravilhosa trilogia A Fundação.

Do outro lado do ringue, o escritor russo Isaac Asimov, fez carreira criando robôs. Não máquinas reais, mas histórias com seus escravos mecânicos. Em sua obra estão listados livros e contos e que inspiraram blockbusters famosíssimos como “Eu, Robô” (o filme predileto do Maluf), “Inteligencia Artificial” e “O Homem Bicentenário.”

Não vá pensando que robô é bagunça!

No universo de Asimov os robôs são criados a partir de regras básicas. Veja abaixo as três (mais uma) regras básicas da robótica e aprenda gestor! E doutrine bem o seu jornalista!

As três leis da robótica:

  • 1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
  • 2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
  • 3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.
Mas muito cuidado gestores! Exista uma terceira lei, que sobrepõe a todas as outras. A Lei Zero da Robótica.
A ‘Lei Zero’: um robô não pode fazer mal à humanidade e nem, por inacção, permitir que ela sofra algum mal. Desse modo, o bem da humanidade é primordial ao dos indivíduos.
Ou adequando para o jornalismo.
Um jornalista robô não pode fazer mal à redação e nem, por inação, permitir que ela sofra algum mal.  Desse modo, o bem da redação é primordial ao dos indivíduos sejam redatores, editores, chefes ou donos.
Cedo ou tarde os robôs tomarão o controle. Agora dê play na música abaixo e pode tomar o copo com água que tá sobre seu monitor.

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